Emma

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Todo mundo que me conhece um pouco sabe como eu sou louca com livros, por isso acho que se esse tema não tivesse o mínimo de destaque aqui, não seria o meu blog.

Quis fazer uma resenha de Emma porque ainda não vi nenhuma por aí e sei bem que o livro merece. É só o segundo da Jane Austen que eu estou lendo (o primeiro foi Orgulho e Preconceito, pouco tempo temo antes, mas que já era projeto de leitura há muito, mas muito tempo) e estou absolutamente encantada com a autora. Jane realmente merece toda renome que tem.

Emma é o quarto romance publicado por Jane Austen, em 1815 e retrata um pouco vida da heroína Emma Wodhouse, que dá nome à obra. Por ter lido Orgulho e Preconceito pouco antes, é difícil não comparar as duas. De fato, achei que no quesito trama, a obra mais célebre de Austen dá um banho em Emma. Quando comecei a ler, tive um pouco de má vontade e demorei mais do que o comum, justamente porque ele tem uma levada bem característica das comédias de costume e descreve todo o universo da personagem, tintim por tintim.

Entretanto, se por um lado todos os longos diálogos e narrativas de fatos, pessoas, lugares e costumes são um pouco cansativos a princípio, eles contribuem muito para dar profundidade ao ponto central do livro, que justamente a própria Emma. Na contracapa, o editor pondera se não seria em virtude da complexidade da personagem principal que o livro teria sido batizado com o seu nome.  Acho que essa observação não poderia estar mais correta. Emma permite um mergulho total da personagem-título, o que te permite conhece-la quase tão bem quanto o Sr. Knightley, de modo a amá-la pelas suas virtudes e seus bons momentos, e reprová-la pelas suas más condutas. Acho que no meu caso, esse processo foi ainda mais intenso, porque me identifiquei muito com ela. Em certos momentos, era quase como eu estivesse ao seu lado, como se pudesse comentar com ela os fatos que aconteciam, com a cumplicidade de uma amiga íntima.

Essa perfeita imersão no universo de Emma revela o talento extremo da autora, que consegue criar uma personagem tão complexa que, em si mesma, já é a obra. Emma é uma personagem extremamente bem construída e Jane Austen não merece ser chamada de nada menos que brilhante por conseguir construir uma personagem como poucos autores conseguiriam, o que faz do livro uma verdadeira obra prima da literatura. Emma é fascinante porque é tão complexa e profunda, que poderia ser real. Nem me atrevo a tentar descrever. Você vai precisar ler pra conhecer minha nova amiga, e essa leitura vale muito a pena mesmo. Leitura obrigatória para quem ama literatura.

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Essa edição da Martins Fontes é um caso a parte. Vi pela primeira vez no Submarino e fiquei apaixonadíssima! Como estava esgotado no site, fiquei à cata dos livros nas livrarias por mais ou menos 6 meses até encontrar Orgulho e Preconceito numa perto da minha faculdade. Emma eu comprei na Saraiva no Botafogo Praia Shopping. Ao vivo, os livros são mais lindos ainda. A delicadeza do design, a atenção aos detalhes, produziu livros físicos à altura das obras de Jane Austen. Como eu pretendo ter todos os livros escritos por ela, não poderia estar mais feliz. Não trocaria essa edição por qualquer outra feita por editoras mais “famosas”.

Ah, mas tem mais! Quando eu era pequena, meus filmes favoritos eram As Patricinhas de Beverly Hills e Os Fantasmas se Divertem (eu nunca disse que sou normal) então me diverti muito quando, logo de início, comecei a perceber muitas semelhanças entre o livro e Clueless. Turns out, como eu fiquei sabendo depois, o filme realmente foi baseado em Emma, sendo adaptado pra década de 90.

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O que faz tudo mais interessante, porque não aconteceu uma simples cópia. Você pode ver como certos acontecimentos são praticamente iguais, só foram meio que “traduzidas”. Além disso, mesmo que meio diferentes, você consegue ver como Emma e Cher são iguais, como a Jane Fairfax é a Amber, como o Sr. Elton é, bem, o Elton. Ah, não vamos esquecer do meu novo queridinho literário, Sr. Knightley e o seu paralelo em Patricinhas, Josh.

Ah, minha life-long crush no Paul Rudd acaba de ficar pior...

Ah, minha life-long crush no Paul Rudd acaba de ficar pior…

Em suma, dei muitas risadas e me diverti muito com esse livro. Definitivamente entrou pros meus favoritos e recomendo vivamente que leiam.

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