De volta pro futuro

213448

Um dos temas da blogagem coletiva de março do Rotaroots (Sugestão da Paloma, inspirada pela TAG no blog Hypeness) era escrever uma carta pro seu eu de dez anos atrás. Logo decidi que não iria participar porque achei que o tema era uma porta aberta pra chororôs sobre traumas e desilusões, coisa que eu realmente não preciso.

Mas aí comecei a pensar sobre quem eu sou hoje e quem eu era há dez anos e, bem, me dei conta de que não mudei tanto assim.

Se eu escrevesse uma carta para a Ana de dez anos atrás, ficaria tentada a avisá-la sobre coisas que ainda estariam por acontecer, dar concelhos a ela sobre o que fazer, pra não dizer, efetivamente dizer a ela o que fazer. Contudo, se eu aprendi algo com os filmes de ficção científica é que tentar alterar o passado pode ter consequências catastróficas para o fluxo do tempo-espaço (valeu, Dr. Brown), ou, numa perspectiva um tanto mais otimista, realizar certas mudanças desejáveis no passado pode causar certas mudanças indesejadas também. Sinceramente, essa ideia não me agrada, porque, sendo completamente sincera e modesta, gosto da pessoa que eu sou, e não gostaria de mudar.

Isso porque a mini-eu, até 19/03/2004, já teria passado por algumas das experiências que mais “potencializaram” características da pessoa que eu iria me tornar. Pelo que li certa vez, a personalidade de uma pessoa se molda até mais ou menos os oito anos. As experiências pelas quais ela passa, até essa determinada idade, são cruciais pra formação do seu caráter. A partir dali ela já seria mais ou menos aquilo que vai ser pelo resto da vida. Acho que isso deve ser verdade em parte, mas não tiro o mérito da mini-eu. Se ela era independente em potência, foi depois dos eventos que se desenrolaram até mais ou menos essa época, dez anos atrás, que ela definitivamente se tornou uma pessoa mais independente e mais forte. Ela passou por coisas que nenhuma criança deveria ser obrigada a passar, o que a fortaleceu, fez o couro dela engrossar mais rápido e se hoje eu sou a pessoa forte e madura que sou, é porque aquela menininha de quase 12 anos foi capaz de aguentar a barra de ter a vidinha dela virada do avesso. A mini-eu de 11 anos era meio mimada e pseudo soberana de si, mas chegou aos 12 anos com um senso de independência, cuidado pelo próximo e uma solidariedade familiar pelas quais eu me orgulho muito.

Não se deixe enganar achando que estou muito satisfeita comigo mesma. As if. Teria sido bom ser mais magrinha, mais auto confiante, mais “popular” na adolescência. Na verdade, seria ótimo ter um pouco (muito!) mais de auto-confiança e auto-estima agora, e se eu não tenho, tenho a nítida sensação que a culpa também está nos acontecimentos do passado. Mas se as experiências moldam quem somos, meu passado fez de mim quem sou hoje, então não arrisco muda-lo, por que continuo caminhando. Um dia eu chego “lá”.

Se fosse possível que eu dissesse algumas palavras pra mini-eu de dez anos atrás sem causar uma ruptura no tempo-espaço, eu arriscaria diria algo como: “Estou orgulhosa do que conseguimos até agora. Agora vamos em frente”.

Anúncios

Her

Her01

Recentemente assisti a Ela, filme de Spike Jonze. A sinopse oficial do filme não o favorece muito, mas na minha opinião vale muito a pena ser assistido, tanto pela beleza da sua fotografia, quanto dos cenários, como pelo enredo interessantíssimo.

“Em um futuro não muito distante, o escritor solitário Theodore (Phoenix) compra um novo sistema operacional desenhado para atender todas as suas necessidades. Para surpresa de Theodore, começa a se desenvolver uma relação romântica entre ele e o sistema operacional. Essa história de amor não convencional mistura ficção científica e romance em um doce conto que explora a natureza do amor e as formas como a tecnologia nos isola e nos conecta”

Ela é com certeza um dos filmes mais loucos e ao mesmo tempo sensíveis que já assisti. Independentemente das profundas ponderações que se possa fazer sobre o filme, pra mim, ele é marcante por ser justamente uma história de amor, e sobre a forma de amor mais pura que há. É sobre apaixonar-se pela essência, pelo que transcende a aparência e a forma física do outro, o que parece ser tão raro atualmente. Parece que, por vezes, buscamos no outro mais uma forma de realização pessoal (a aparência de mais nos atrai, o toque que melhor nos excita, quem vai nos fazer mais felizes dentro dos parâmetros que nós temos como ideais) do que o amor puro e simples, amar e ser amado, e com essa pessoa construir um relacionamento único e especial.

Amar o outro por quem é, e por como nos faz sentir, simplesmente amar. Sempre me identifiquei com a ideia de que aquilo que somos transcende a matéria, consubstanciada na frase “You don’t have a soul, you are a soul, you have a body” (cuja autoria é erroneamente atribuída a C.S. Lewis), e por esse motivo o filme me tocou tanto. Amar alguém pelo que esse alguém simplesmente é me parece ser a forma mais pura, mais sincera de amar, e, para mim, a essência do filme é essa. Achei simplesmente incrível que o diretor tenha sido capaz de criar um relacionamento assim e fazê-lo perfeitamente “crível”, ainda que a natureza desse relacionamento seja tão surreal (pelo menos ainda, certo?).

Enfim, se você é uma pessoa sensível, recomendo fortemente que você assista esse filme e seja absorvido por essa história fascinante, justamente por ser improvável. Agora, se você achou esse post uma grande besteira, melhor ir ver um filme do Stallone, que assim você aproveita melhor o seu tempo.

Meu antigo blog morreu.

Na verdade, eu quem o matou. Eu costumava pensar que não havia sentido em escrever, pois o meu blog era só mais um em um universo já saturado. Passava em branco, não tinha destaque, e eu sentia com frequência que estava escrevendo para as paredes.

Nunca serei uma blogueira famosa, isso nem passa pela minha cabeça. Atualmente parece que todo mundo está mais interessado em blogs cheios de fotos tiradas com câmeras semi-profissionais do que em ler um post cabeça, como alguns meus das antigas. Então, estou fadada ao anonimato. Nada contra, só não é muito provável que alguém veja nada disso por aqui. Não vou resenhar os produtos de beleza que recebi de presente de marcas, porque não recebo, nem espero receber jabá nenhum. Também não haverá fotos de look do dia, porque a seleção se jeans e blusas que eu uso diariamente não vai interessar ninguém. Seremos só eu e os meus textos.

Então, que ninguém leia. Não é por causa dos outros que vou voltar a escrever. Por favor, eventual leitor, não fique ofendido. Você é mais do que bem vindo. Mas é que nos últimos tempos eu senti uma vontade ardente de voltar a escrever, em manifestar essa parte de mim que me faz sentir especial e que há tempo demais está esquecida. Eu sempre gostei de escrever, sempre fui boa nisso e foi com um pesar profundo que eu me dei conta que um dos últimos textos “oficiais” que escrevi data de 2009. Só que parei de escrever por falta de “tempo”, por me sentir desmotivada, desvalorizada. Agora nada disso me importa mais. Vou me forçar a escrever, porque só agora me dei conta de como isso é importante pra mim. Mais do que isso, é parte de mim. A partir de agora, essa sou eu escrevendo pras paredes.