A saga das sobrancelhas

Se não for no seu cachorro/gato/periquito/etc, sobrancelhas super arqueadas não, tá?

Nem lembro mais quantos anos tinha quando depilei minhas sobrancelhas pela primeira vez, só sei que era nova. As sobrancelhas grossas que herdei de papai (assim como o resto do rosto) começou a me incomodar cedo, e pra ficar bonitinha, fui lá e fiz. Na cidade da minha avó. No verão. À pinça. Na base do sangue frio. Jesus como doeu.

Passei a fazer à cera, de tão traumatizada que fiquei com a pinça. (Ironicamente, hoje em dia ela é quase uma extensão das minhas mãos.) O hábito pegou e passei a fazer as sobrancelhas regularmente. Elas foram ficando gradativamente mais finas, ao passo em que e o preço foi ficando gradualmente mais caro, até que parei de fazer no salão. “Posso fazer isso sozinha”, pensei, sem sequer suspeitar a cagada que ia fazer. Passei a fazer as benditas em casa e por um tempo isso deu certo. Até que em uma tarde ociosa na casa da vovó, pinça e espelhinho em mãos, fui lá e esculhambei elas de vez. Desde então elas oscilam entre fazes de esculhambação total e quase correção, mas sempre finas e precárias.

Eu costumava achar que ter uma sobrancelha delineada dava mais expressão ao meu rosto, mas depois dos vinte e com a sabedoria de quem já aprendeu e viu muita coisa no ramo da estética, tive que me submeter à verdade absoluta de que rostos largos precisam de sobrancelhas mais volumosas. Desde então, esta sou eu, engajada em minha jornada épica de constrição e coceira. É quase como parar de roer as unhas, ou como abandonar qualquer mau hábito. Não posso nem começar a te descrever como é irritante ver aqueles tocos de pelinhos, tão obviamente fora do desenho atual, gritando, implorando pra que eu os puxe sem que eu possa fazê-lo. A moral da história: não fume, não roa as unhas, não depile demais as sobrancelhas ou adquira qualquer hábito que exija um enorme sacrifício pra abandonar. Conselho de amiga.

Anúncios